
Em um desdobramento recente de uma investigação de grande escala na Holanda, Frits van Eerd, antigo proprietário e piloto da equipe Racing Team Nederland, foi condenado nesta quinta-feira por lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e corrupção não administrativa — um termo jurídico que equivale a suborno — e recebeu uma sentença de dois anos de prisão . A condenação foi proferida pelo tribunal de Groningen, em uma decisão considerada mais rigorosa do que a recomendação inicial do Ministério Público, que propunha dois anos de prisão, sendo oito meses em regime condicional. O tribunal, contudo, adotou a medida integralmente, sem permitir suspensão da pena .
A origem do processo remonta a setembro de 2022, quando Van Eerd foi preso durante uma operação da FIOD que incluiu buscas em sua residência e escritório, resultando na apreensão de aproximadamente €448 000 em dinheiro vivo, escondidos em locais inusitados, como geladeira e cofres . As investigações revelaram que ele teria utilizado notas fiscais falsas — disfarçadas como patrocínio a equipes de motocross — para justificar o repasse de recursos que acabavam retornando a ele ou a outros envolvidos, especialmente ao co-réu identificado como Theo E.
O tribunal considerou que estava provado que Van Eerd tinha plena consciência da origem criminosa dos recursos. A justificativa apresentada por sua defesa — de que o dinheiro estaria vinculado a seus hobbies, como colecionar carros de corrida — foi rejeitada como improvável. Testemunhos de familiares e amigos também foram considerados inconsistentes ou comprovadamente falsos . A juíza afirmou que a lavagem de dinheiro mina a economia legal e representa uma ameaça à sociedade, destacando que o então CEO abusou de sua posição de liderança para se enriquecer às custas da própria empresa, violando suas regras internas — comportamento considerado “extremamente repreensível”.
Além disso, a decisão judicial enfatizou que Van Eerd continuou mantendo vínculos com indivíduos de alto risco mesmo após promessas de rompê-los, comportamento que evidenciou caráter recidivista . Em paralelo, o patrocinador Jumbo e a equipe Racing Team Nederland se afastaram da cena das competições após sua prisão — culminando na exclusão da equipe da prova Motul Petit Le Mans de 2022 e na saída definitiva de Van Eerd da posição de CEO em março de 2023 .
A defesa já sinalizou que é “altamente provável” que seja interposto recurso contra a sentença. Enquanto isso, o co-réu Theo E. foi condenado a três anos e meio de prisão.
